CITANDO...

Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente fisico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos.
— Joseph Campbell

Do livro O Poder do Mito.

Quando uma pessoa pisa pela primeira vez no caminho do autoconhecimento, é porque algo dentro dela está pedindo coerência. É assim que eu entendo esse movimento, que faz você mandar uma mensagem para um amigo pedindo o telefone daquele terapeuta que ele conhece, ou daquele curso que ele já fez, ou o link para aquele site sobre o qual ele comentou no outro dia. Nosso mundo interno, em algum momento, PRECISA começar a manifestar do lado de fora uma realidade que seja coerente com a que temos do lado de dentro.

Buscar um sentido para a vida parece nos levar a pensar nela como uma tarefa, como se encontrar o sentido fosse um objetivo a ser alcançado. Mas buscar a experiência de estarmos vivos é algo que se faz no dia a dia, a cada minuto. Como estou me sentindo agora? Como a vida que eu levo faz eu me sentir? Que tipo de experiências eu aprendi a copiar, ou a esperar, ou a reproduzir? Elas fazem sentido para mim ou são reproduções de scripts que eu acho que devo seguir? Me trazem calma ou ansiedade?

Estou me sentindo presa? Me sinto livre? Preciso de mais espaço? Preciso de menos movimento? Sinto necessidade de desenvolver alguma outra habilidade? Como está sendo a minha experiência neste ano? Neste mês? Neste segundo? Essa experiência é coerente com o meu mundo interno?

Acho interessante que a maioria de nós tenhamos medo de olhar para dentro, quando na verdade é a partir dessa jornada que as coisas entram no lugar, começam a fazer sentido. É no autoconhecimento que o sofrimento diminui e que amadurecemos e aprendemos a organizar o nosso mundo interno, que, [não sei se você já parou para pensar nisso] é o único lugar do qual não podemos fugir e que estará conosco por toda a vida.

Ah! E se vocês quiserem conhecer o trabalho do Campbell, este livro é um ótimo começo, porque é a transcrição de uma entrevista para o Bill Moyers nos anos 80 e a linguagem é mais simples do que a que ele usa em seus livros.

VK

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