BASTIDORES

Acho que integrei a empresária que existe dentro de mim.


Demoreeei para me sentir confortável no papel de administradora da minha clínica. Há 2 anos, desde que transformei meu pequeno espaço individual numa clínica fofa de dois consultórios, estou tentando entender onde termina a “Verena” e onde começa o “Espaço &”: qual dinheiro é meu e qual é da clínica? Dos horários que eu reservo para trabalhar, quais são para mim e quais são para a clínica? Quem trabalha para quem, eu trabalho para ela ou ela trabalha para mim? Era muito confuso enxergar os limites entre mim e o Espaço.

Além de estar aprendendo a ser administradora (bem que poderíamos aprender noções básicas de Administração da faculdade de Psicologia), também estou começando a enxergar qual lugar eu ocupo nessa equipe tão legal de terapeutas que acreditaram no Espaço e vieram trabalhar aqui.

Eu sempre fui um tipo de líder horizontal, confiando nas pessoas que trabalham comigo e preferindo dar a elas o máximo possível de autonomia. Por causa disso, entramos neste terceiro ano de clínica parecendo mais um co-working do que uma clínica em si. Quando me dei conta disso, depois de uma conversa recente com a Maíra, que atende aqui, fiquei incomodada e percebi que, para a clínica finalmente prosperar, eu teria que assumir a responsabilidade que me cabe e vestir a roupinha de empresária.

Então foi o que eu fiz. Desde segunda estou mexendo em coisas que eu estive adiando por dois anos. Voltei ao curso Dinheiro Sem Medo, do Eduardo Amuri, mas pensando na clínica (enquanto o Finanças para Autônomos não sai). Marquei uma reunião de consultoria com o Sebrae para a semana que vem. E ontem tive uma reunião com a Raquel, do Tem Amor No Papel, para encomendar a logo do Espaço. Ontem risquei o último item da minha lista de responsabilidades e fui pra casa feliz.

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Hoje de manhã, o meu primeiro paciente, um homem super bacana e sensível que também é empresário e também trabalha com o que ama enquanto gerencia sua própria empresa, chegou para a consulta. Antes mesmo de entrar no consultório, ele me entregou essa coisinha aí da foto, uma moedinha de papelão de 1cm de diâmetro, com o símbolo que eu escolhi como nome da clínica. “Encontrei isto aqui e lembrei de você, Verena. Não tenho certeza, mas é o nome da sua clínica, não é?”. 

Sim, R, é esse mesmo o nome da clínica. Até ontem, eu ainda não sabia a dimensão do movimento que eu havia começado na semana passada. Mas hoje, enquanto segurava entre os meus dedos essa moedinha vermelha tão pequenina mas tão palpável, entendi que a clínica está finalmente em seu lugar, bem redondinha, colorida e novinha, devidamente separada de mim e de um tamanho que eu me sinto super confortável para gerenciar. 

Isso me fez lembrar que as sincronicidade são as mensagens que o inconsciente coletivo manifesta para nos ajudar a enxergar, de forma concreta e palpável, os movimentos internos que estamos precisando ver. E agradeci mentalmente ao meu paciente, R., por entregar essa mensagem para mim!

VK


A série “Bastidores”, traz insights sobre os conflitos, crises e ansiedades que eu vivo nos bastidores do consultório, das aulas, da escrita. São minhas reflexões pessoais sobre temas universais.


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