BASTIDORES #4


Falemos sobre ansiedade! De novo.

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A ansiedade é algo muito pouco palpável, não é uma dor de joelho que você consegue nomear e apontar “dói bem aqui, do lado direito, mais pra baixo”. Por ser um tipo de dor psíquica, e nós sermos um pouco analfabetos no que diz respeito à nossa educação emocional, ansiedade é um desconforto que a gente nem sempre consegue reconhecer. É sobre isso que eu quero falar hoje.

Mas antes, uma introdução.

Cada um tem um tipo diferente de ansiedade, e a minha costuma aparecer em forma de “tarefas”. Quanto mais ansiosa eu fico, mais coisas eu encontro para fazer. Fico pulando de uma tarefa para outra, uma louça a ser lavada aqui, uma tradução para terminar ali, um texto para escrever logo depois, tudo entremeado por atendimentos e sessões à distância. Enquanto isso, a minha CABEÇA fica ocupada pensando, organizando e planejando a próxima tarefa.

Mas olha só, eu não posso falar de cabeça separada do corpo e das emoções, porque somos uma coisa só. Minha mente fica ocupada porque ela está fazendo um favor para a minha psique, DESVIANDO A MINHA ATENÇÃO das coisas que eu não quero sentir. Isso é ansiedade.

Depois que eu fiz o programa de Mindfulness (Atenção Plena) no ano passado, descobri que tinha um nível de ansiedade em mim que eu nem percebia que estava aqui. A ansiedade estava embutida no meu dia a dia como o barulho da eletricidade, que de tão presente, se faz quase inaudível. Percebi que o meu silêncio ainda era muito barulhento.

Mas o legal de conhecer a ausência de algo é que ficamos sensíveis à presença daquilo. Conforme as semanas foram passando e minha mente foi aquietando, comecei a ficar consciente do barulho que antes eu não ouvia. Aos poucos, descobri como é o VERDADEIRO silêncio dentro de mim. E deixa eu te falar, o silêncio não é só na mente, é no corpo todo.

Desde então, eu não parei mais de pensar nessa dinâmica maluca e interessante que existe dentro da gente. Como nós já nascemos dentro de uma realidade ansiosa, em um mundo ansioso, com pais ansiosos e estudamos em escolas ansiosas, a ansiedade é nosso barulho branco, o zumbido dos postes de luz que a gente nem ouve mais. É o “normal”.

Mas, meo, estar com a mente agitada 24h por dia não é normal. É só comum. Aliás, é tão comum que até hoje, 10 meses depois de começar a praticar a Atenção Plena, eu ainda estranho os dias em que não estou ansiosa. É como se estivesse faltando algo. E eu sei que está faltando, sim. O que falta é o barulho da ansiedade, com o qual eu convivi por 38 anos da minha vida. Dez meses ainda é muito pouco para eu reconhecer o silêncio como meu novo normal.

Se você está lendo e achando que eu vou sugerir que a gente se mude para um ashram e se refugie longe da civilização, não se preocupe! Não é para isso que estou aqui. Demorei um bom tempo para entender que o que me empolga é poder mostrar para as pessoas que é possível se organizar internamente sem ter que abrir mão da vida urbana e normal que elas já conhecem. A menos que seja o que você quer, claro!

Estou escrevendo este texto só para te dizer que carregamos esse tipo de barulho sem perceber.  Como diz o maravilhoso Joseph Campbell, a tarefa de quem percorreu um caminho é voltar, transformado, e mostrar o caminho para as outras pessoas. Então eu estou aqui para te dizer que o que nos ensinaram ser normal, não é. E que é possível dar uma acalmada interna nessa agitação que nos rouba tanta energia e nos tira do nosso eixo. 

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