SOBRE A INTUIÇÃO - PARTE 1

Introduzindo os cinco sentidos concretos e sutis.


Eu cresci achando que intuição era um dom reservado a alguns poucos sensitivos privilegiados. Além disso, eu achava que a intuição era um movimento incontrolável, uma reação espontânea que pipocava na cabeça dessas pessoas nos momentos mais inesperados, trazendo cenas de tragédias futuras ou sensações ruins a respeito de algumas pessoas ou lugares. Uma coisa assim meio bênção, meio maldição.

Como eu não me encaixava em nenhum dos requisitos acima, concluí que eu não era uma pessoa intuitiva. Desencanei e fui viver a minha vida.

Foi só quando virei adulta e comecei a investigar essas coisas psicológicas que eu adoro, que descobri que intuição é uma qualidade inata de cada ser humaninho que caminha por aí. E que eu sou intuitiva, sim! E você também.

Para mim, faz muito sentido colocar um texto sobre intuição na categoria de Autoconhecimento porque esta é mais uma das habilidades que nós negligenciamos em nossa formação.

E quem está por trás, atuando para a intuição fazer o seu trabalho? Os cinco sentidos!

 

Os sentidos concretos

  Os cinco sentidos  concretos  captam apenas uma parte das informações disponíveis no mundo.    Foto de  Ahmed Saffu

Os cinco sentidos concretos captam apenas uma parte das informações disponíveis no mundo.

Foto de Ahmed Saffu

Os cinco sentidos concretos, esses que a gente conhece e estuda na escola, que enviam para o cérebro as informações captadas pelas terminações nervosas dos órgãos dos sentidos (olhos, ouvidos, nariz, papilas gustativas e pele), são as nossas principais fontes de conhecimento do mundo. 

O que chamamos de realidade, por sinal, é uma coleção de frequências vibratórias que são captadas pelos nossos cinco sentidos e traduzidas para dar uma forma ao que nos rodeia. Os cheiros são partículas formadas por átomos de várias frequências, captadas pelo sentido do olfato e traduzidas no cérebro em odores. A música é uma vibração percebida pelo sentido da audição (e algumas vezes também pelo tato) e interpretada no cérebro até virar som.

Tudo o que você sabe sobre si, sua família, suas memórias, sua vida, foi recolhido através dos seus cinco sentidos. Pensa aí um pouco e você vai perceber. Se você não tivesse a visão, nem a audição, nem o tato, nem o paladar e nem o olfato ativados, se nenhum desses sentidos funcionasse, você não teria experiência nenhuma de vida. Ne-nhu-ma.

"Ah, mas eu continuaria respirando." Ok, mas sem o sentido do tato você não sentiria a sua respiração entrando e saindo pelo nariz. "Meu coração continuaria batendo." Certamente, mas você não teria como perceber isso.

Algumas pessoas, na falta de algum dos cinco sentidos concretos, recolhem informações com os sentidos restantes e constroem o seu próprio retrato do mundo, que não é nem mais completo nem mais incompleto que os outros, porque no fundo não importa se você vê todas as cores, se não consegue enxergar a cor vermelha ou se não enxerga nada. O seu mundo é como você o constrói dentro de si. E não existe o mundo. Existe o seu mundo.

Esses sentidos, que eu estou chamando de concretos, são os únicos que a maioria de nós desenvolve e aprende a usar. Maaaas, queridas leitoras e queridos leitores, nós temos outra fonte de coleta de informação, igualmente disponível, acessível e importante, que eu aprendi a chamar de sentidos sutis

 

Os sentidos sutis

Imagina os seus cinco sentidos. Agora imagina que, em vez de estarem abertos para fora, eles estão voltados para dentro. Não, não estou falando da parte interna do seu corpo (que, por sinal, também envia informações ao cérebro pelos sentidos concretos). Mais para dentro, bem profundo mesmo, naquele lugar que é tão abstrato que a gente nem consegue imaginar muito bem: o inconsciente.

  Os sentidos sutis estão sintonizados com os sinais que o inconsciente está captando e traduzindo.    Foto de  Matthew Tkocz

Os sentidos sutis estão sintonizados com os sinais que o inconsciente está captando e traduzindo.

Foto de Matthew Tkocz

Imagina uma visão, uma audição, um paladar, um olfato e um tato tão, mas tão sutis, tão rarefeitos (se isso te ajudar a visualizar) que eles não estão sintonizados com as partículas de odor de um perfume ou a pressão do toque de um beijo e sim com os sinais visuais, táteis, auditivos etc que o seu inconsciente está captando e traduzindo.

É a percepção dos sentidos sutis da criança que capta uma animosidade no ar quando ela entra na sala e sabe que algo não está bem, mesmo que os pais tentem disfarçar a briga recente com sorrisos e carinhos.

É graças à percepção sutil que você olha para o rosto do seu colega de trabalho e resolve, sem saber muito bem por quê, não mandar um abraço para a esposa dele desta vez, e descobre, dias depois, que eles tinham acabado de se separar. Essa camada dos cinco sentidos que está interagindo com o mundo o tempo todo, no plano de fundo, enquanto nossa mente consciente interage por meio dos sentidos concretos.

O sentidos sutis, literalmente, são a parte de nós que lê o que está nas entrelinhas, que ouve o que está além do que está sendo dito, que percebe quando uma situação não está cheirando bem, que capta o amargor das palavras de alguém, que sente a pressão de uma responsabilidade jogada nas suas costas. São eles que complementam, com dados sutis, nossas interações com as pessoas, lugares e situações que nos rodeiam.

E a intuição vem a ser o quê, nesse cenário? A intuição é o que acontece quando essas duas camadas, a concreta e a sutil, estão em sintonia. Nós costumamos chamar a intuição de sexto sentido, e eu entendo perfeitamente o por quê, mas a intuição não é um sentido, e sim um processo.

E esse é exatamente o tema da segunda parte deste texto.

Espera só um pouquinho que eu já volto!

 (texto editado e atualizado em 08.08.2018)


Referências Bibliográficas

(1) CHOLLE, Francis P. What Is Intuition, And How Do We Use It?