Billy Elliot e educação emocional

 
Calçada em Wynwood, Miami. “A obra de arte sou eu”. | Foto: Verena Kacinskis

Calçada em Wynwood, Miami. “A obra de arte sou eu”. | Foto: Verena Kacinskis

Eu tenho pensado muito em saúde emocional ultimamente. Voltei ontem de Miami, onde fui fazer a prova de Certificação Avançada de BodyTalk e vim assistindo Billy Elliot no avião. Já viram? Eu adoro esse filme por vários motivos (acho a história linda, a atuação do menino é incrível etc), mas o que eu fiquei pensando ontem foi nas limitações que nós mesmos criamos quando definimos como VERDADES coisas como “menino não dança balé”, “eu não sirvo para me relacionar” e por aí vai.

Aí cheguei em casa e o Fábio me contou que havia assistido um vídeo de “um tal de Bruce Lipton, você conhece?” (e eu… “Então, já li o livro dele três vezes” ). O Fá achou interessante uma coisa que o Lipton diz no vídeo, sobre o fato de nós sermos “programados” até os 7 anos de idade pelas crenças e visões de mundo das pessoas que nos rodeiam, e depois passamos a reproduzir isso sem percebermos.

Fazendo parte de uma geração que, por ter acesso a bastante informação tem tido dificuldade em encontrar o equilíbrio entre “educar”e “traumatizar”, eu tenho tentando deixar claro para meus pacientes e amigos que está tudo bem, que os "traumas", as programações, os sistemas de crenças fazem parte da experiência humana e é impossível evitarmos que eles aconteçam.

Por possuirmos uma consciência de nós mesmos somada a cinco sentidos que são nossa única forma de contato com o mundo, nós estamos “destinados” a sermos programados, sim, porque a gente tende a buscar o que dá prazer e a fugir do que nos causa dor, e portanto dividimos o mundo, as pessoas e as experiências em agradáveis e desagradáveis, boas e ruins. É assim que se formam as crenças e as programações.

O que eu sinto que precisamos entender, que eu chamo de EDUCAÇÃO EMOCIONAL, é que a ideia da vida é encontrarmos formas de nos "desprogramarmos". Apesar de na infância absorvermos as visões de mundo endurecidas dos nossos pais, sociedade etc, somos dotados de uma psique com alta habilidade de auto-atualização justamente para, ao longo da vida, irmos flexibilizando essas crenças, tomando as rédeas de nossa saúde emocional enquanto “desaprendemos” o que nos foi passado, não com uma energia de negar de onde viemos mas sim com a energia de EXPANDIRMOS o que nos foi passado.

Viver a vida reproduzindo nossas programações é infantil e pouco elaborado. É andar no automático, meio adormecidos, desconectados. Amadurecer não é sair da casa dos pais e pagar as próprias contas. Amadurecer é conseguir se observar com carinho, com cuidado e com compaixão, entendendo de onde viemos e expandindo a visão de mundo que nos foi passada. É curar as feridas e, assim, andar com o coração aberto para dar e receber. Essa é a parte legal de crescer. <3