CITANDO... CLARISSA PINKOLA ESTÉS

 
Do livro   Mulheres que Correm com os Lobos   | Foto: Arquivo pessoal

Do livro Mulheres que Correm com os Lobos | Foto: Arquivo pessoal

Precisamos nos esforçar para permitir que nossa alma cresça naturalmente até atingir sua profundidade natural.
— Clarissa Pinkola Estés

A história da consciência, individual e coletiva, começou lá nas profundezas dos nossos instintos. Não sabemos exatamente em que estágio do desenvolvimento dos hominídeos surgiu a psique, mas sei que, assim como a vida de um ser humano começa pelas sensações e instintos do bebê e se desenvolve ao longo da vida, a psique coletiva começou de uma forma bem primitiva e foi se desenvolvendo até o momento no qual nos encontramos agora.

O que acontece com a psique é que ela busca sua autorrealização. Ela quer, precisa se expandir, se conhecer e se entender. Então ela não fica parada, nós não ficamos parados.

Os antropólogos se perguntam se os primeiros humanos desenvolveram a linguagem para proteger suas pequenas comunidades contra perigos externos, se foi para facilitar a socialização e a instituição de regras e ordens sociais, mas eu acho que a gente começou a falar, seja por sinais, seja pela voz, porque precisávamos nos fazer entender no nível dos sentimentos, dos afetos, assim como, quando uma criança começa a falar, o que ela comunica são seus desejos, seus desconfortos, seu afeto.

Como eu disse, a psique pre-ci-sa se desenvolver, entende? É o movimento natural dela. E por isso ela nos dá os recursos para que sejamos o instrumento através do qual ela se desenvolve. A linguagem deve ter sido um deles.

Olhando por essa perspectiva, nada deu errado na nossa história. Em sua busca por se ampliar e se expandir, a psique foi desenvolvendo e acessando áreas mais complexas do cérebro, e a gente desenvolveu a agricultura, as estradas, o dinheiro, a política, os computadores, a internet. Nos apoiamos nessa energia exploradora incrível, que é bem masculina, e olhamos pra fora, exploramos o mundo de fora. Fizemos um monte de besteira, o planeta está um caos. Mas fizemos muita coisa legal também.

Quando eu leio essa frase da Clarissa Pinkola, escrita em um livro sobre o feminino, fico pensando que o equilíbrio agora está em usarmos o que há de mais feminino na gente para explorarmos o outro lado do mundo, aquele interno. Eu sei que pareço um disco riscado, mas tudo bem. Repito e repito e repito: integrar o feminino, honrar a energia feminina na nossa sociedade, não acontece só quando mais mulheres ocupam cargos de chefia e recebem os mesmos salários que os homens. Acontece também quando todos nós damos ao mundo interno a mesma importância e dedicamos a ele a mesma energia que fomos treinados a dedicar ao mundo externo.